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Produtos de limpeza doméstica ganham fórmula e frasco ecológicos

22/09/2019 - Por admin

Texto originalmente publicado em: Folha de São Paulo

Por Carolina Moraes
SÃO PAULO

O mercado de produtos de limpeza doméstica fabricados com ingredientes naturais e vendidos em embalagens mais sustentáveis começa a se expandir.

Para fugir de petroquímicos nos ingredientes e do uso excessivo de plástico, pequenos empreendedores criaram fórmulas com bases vegetais, óleos essenciais e recipientes feitos a partir de materiais retirados de áreas litorâneas.

É o caso da Yvy, criada no ano passado. Ao levantar os principais problemas no setor, Marcelo Ebert, diretor-executivo da empresa, percebeu que lidar com as embalagens era tão importante quanto com a fórmula dos produtos.

A solução foi criar cápsulas com ativos hiperconcentrados, diluídas pelo consumidor em borrifadores não descartáveis —uma economia de dois terços de plástico em comparação com produtos convencionais.

A Yvy funciona como um clube de assinatura e envia kits para a casa dos clientes. Cresce 20% ao mês desde janeiro deste ano e a perspectiva é passar de mil assinantes até dezembro.

Os kits têm até cinco itens: lava-roupas, limpeza pesada, banheiro, lava-louças e um multiúso. O líder de vendas é o PP (R$ 62,89 por mês), indicado para quem mora sozinho.

Fundada em 2016, a Positiv.a, foca em economia circular, permacultura e causas de bem-estar animal, de acordo com Alex Seibel, um dos sócios da empresa.

Os produtos são biodegradáveis, hipoalergênicos e ecológicos. Nas embalagens, a Positiv.a usa plástico recolhido das praias de Santos. No último ano, faturou R$ 2 milhões, e a expectativa é chegar a R$ 5 milhões em 2019.

Segundo Becky Weitzein, diretora da Biowash, uma das pioneiras desse mercado, a busca por produtos sem sintéticos e que impactem menos o meio ambiente tem tomado corpo de cinco anos para cá.

Criada em 1981, surgiu como opção de produto concentrado, com o objetivo de diminuir o consumo de água. Em 1994, lançou o primeiro item livre de petroquímicos e hoje tem um catálogo com 19 produtos de tamanho padrão e dez vendidos em galões.

A marca atende dois tipos de público: os alérgicos aos produtos convencionais e os interessados em sustentabilidade. “São pessoas que já estão nesse caminho e veem que a limpeza também precisa ser olhada”, diz Weitzein.

Hoje, os consumidores estão mais questionadores sobre a composição dos produtos que usam, diz Bruno Cimino, diretor da Bioz Green.

Os itens da marca não levam petroquímicos e são feitos sempre com bases vegetais, entre elas o óleo de coco.

Como a Biowash, a marca, que desde 2004 vende para empresas, lançou uma linha de varejo em 2014. O faturamento, diz Cimino, dobra todos os anos desde então.

A empresa, que está em 12 estados e tem 400 pontos de venda, estuda agora uma nova embalagem, feita de plástico reciclado.

Apesar do crescimento do setor, Seibel, da Positiv.a, diz que há algumas dificuldades. “A gente sofre com percepção de preço porque nosso produto é concentrado. Usamos muito menos embalagem que produtos convencionais e somos supercompetitivos no valor”, afirma.

Segundo Rafael Pellegrini, analista da categoria de home care da consultoria Euromonitor, o mercado de produtos de limpeza é muito sensível a preço. Trata-se, segundo ele, do principal motivador de compra. Um produto multiúso natural chega a custar cinco vezes mais do que o de uma marca convencional, diz ele.

Em sua opinião, esse segmento tem se expandido nos últimos dois anos principalmente com atuação de marcas pequenas. “Elas conseguem comunicar de forma mais clara e estar em contato com esse público de nicho”, afirma Pellegrini.

Para Seibel, conscientizar o consumidor é o maior desafio. “A gente tenta mostrar ao público que o consumo pode ser a resolução de grandes problemas”, afirma. “É uma mensagem à qual não estamos acostumados, nós falamos que o consumo é destrutivo sempre.”

Uma estratégia da Biowash, que também investe em um trabalho de conscientização, foi fazer parcerias com a chef Bela Gil, que criou um produto próprio dentro da marca.

“O principal é o consumidor decidir mudar. Porque essas marcas que estão aí, e são nossos concorrentes, são seculares. As pessoas compram produto de limpeza no automático”, conclui Ebert, da Yvy.